Dizem que, quando um filho nasce, o coração passa a bater fora do peito. É uma frase bonita, dessas frases de cartão de livraria, mas a verdade é que ninguém te avisa que esse coração ganha pernas, aprende a correr e, eventualmente, vai querer atravessar a rua sozinho.
Olhar para você hoje, Pedrinho, é como assistir a um amanhecer em câmera lenta. É lindo. Existe uma mágica quase inexplicável em ver como suas mãos, que antes mal envolviam meu polegar, agora já seguram o lápis com firmeza para desenhar o que você chama de “mundo”.
Seus passos ficaram pesados, decididos, e cada nova palavra que você aprende é uma pequena vitória que eu comemoro como se fosse uma sinfonia.
Ver você crescer é o privilégio mais doloroso que eu já experimentei. Porque, a cada passo que você dá em direção ao mundo, eu preciso aprender, em silêncio, a dar um passo para trás.